terça-feira, 4 de novembro de 2008

Tempos de amor

Quantos recados você já viu no Orkut com declarações eternas de amor? O eu te amo, agora aparece em qualquer scrap de colegas que acabaram de se conhecer. E até aquele antigo pudor do que impedia o homem de dizer essa frase acabou, agora amigos também amam outros amigos. É meninos também podem amar outros meninos sem colocar sua sexualidade em duvida, nesse novo mundo.

Sou do tempo em que, “eu te amo” era dito por casais apaixonados. Essa frase não era pensada, era apenas sentida, quase dita pelo coração. O “eu te amo” era dito para a mãe, naquele dia das mães especial, no aniversario dela ou num momento muito importante para os dois. Dizer eu te amo dava certo medo, receio de se despir da mascara e deixar transparecer o verdadeiro sentimento. Esse medo proporcionava um prazer enorme, tanto para quem dizia quanto para quem ouvia, era um momento mágico, simples e único. Não tem como explicar a verdadeira magia de se ouvir ou dizer “eu te amo” naqueles tempos.

Hoje o “eu te amo” é quase uma assinatura de recado no Orkut. Perdeu-se o medo, perdeu-se o receio, perdeu-se a magia. Vemos uma geração que diz “eu te amo”, mas não sente o verdadeiro amor. O verdadeiro prazer de se dizer “eu te amo” se perdeu, e agora o meu receio é de que esse prazer nunca seja sentido por essa meninada que diz amar todos.

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